“O que é a saudade, se não a lembrança do que amamos?”
Tradição, e também muito comum ao final do ano é reclamar do que se passou.
O Ano Velho foi horrível! Mas o novo vai me dar tudo.
É isso que representa a troca de ano para um grande número de pessoas. Passam o último dia do ano culpando o que passou e pedindo que o novo lhes traga tudo:
Esse ano que se vai foi uma droga, não trouxe nada para mim, mas esse ano novo vai me trazer tudo de bom.”
É, deve estar certo mesmo. É o ano que tem que fazer tudo por nós, não é?
Tem também a tradição de promessas, promessas e mais promessas para o novo ano:
“Esse ano vou fazer isso.
Esse ano vai ser assim.
Esse ano faço tudo que não fiz.
Esse ano consigo aquilo.”
Também está certo, deve estar, afinal uma noite e nós conseguimos mudar completamente, não é?
Não que não seja possível, mas será que queremos mudar mesmo? Não prometa… Faça!
Mas que assim seja.
O “Ano Novo” também é um momento de reflexão.
Nesse caso é mais comum ainda pegar tudo de errado que aconteceu no ano e arrumar culpados para tudo:
“Claro que EU mesmo nunca fiz nada de errado. O problema foi que nada deu certo, o problemas foram os outros. Porquê preciso mudar então?”
Realmente é assim que deve ser o novo ano, não é?
Então que assim seja para os que assim querem. E um feliz 2012 para todos!
Eu vou aproveitar uma deixa que me deram e que me inspirou a escrever aqui hoje, após tanto tempo, após todos os dias do ano que passou.
2012, além dos normais 365 dias, está nos dando um dia a mais. Não desperdicemos nenhum. Façamos a nossa parte para ser um ótimo ano. Se queremos algo diferente do que o ano que passou não podemos fazer tudo igual. Não farei promessas, mas também não esperarei parado. Se quero um ano diferente, vou torná-lo melhor!
Feliz 2012!!!!
Outro ano se foi, outro ano se vem.
Mais idéias se foram, outras vieram, algumas foram escritas, outras seguidas, outras abandonadas.
Não vou desejar nada de novo, não vou escrever nada de novo.
Mas farei um novo começo.
“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente…
Para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente…
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!”
(Carlos Drummond de Andrade)
Chuva, muita chuva.
Que leve tudo então…
Às vezes, um pouco. E só.
Porque hoje os pensamentos estão todos bagunçados.
E porque a ideia que veio já se foi…
Mas poucas palavras também tem seu valor.

Pois é pra quê?
O automóvel corre a lembrança morre
O suor escorre e molha a calçada
A verdade na rua a verdade no povo
A mulher toda nua mas nada de novo
A revolta latente que ninguém vê
E nem sabe se sente pois é pre que
O imposto a conta o bazar barato
O relógio aponta o momento exato
Da morte incerta a gravata enforca
O sapato aperta o país exporta
E na minha porta ninguém quer ver
Uma sombra morta pois é pra que
Que rapaz é esse que estranho canto
Seu rosto é santo seu canto é tudo
Saiu do nada da dor fingida
Desceu a estrada subiu na vida
A menina aflita ele não quer ver
A guitarra excita pois é pra que
A fome a doença o esporte a gincana
A praia compensa o trabalho a semana
O chopp o cinema o amor que atenua
Um tiro no peito o sangue na rua
A fome a doença não sei mais porque
Que noite que lua meu bem pra que
O patrão sustenta o café o almoço
O jornal comenta o rapaz tão moço
O calor aumenta a família cresce
O cientista inventa uma flor que parece
A razão mais segura pra ninguém saber
De outra flor que tortura
No fim do mundo tem um tesouro
Quem foi primeiro carrega o ouro
A vida passa no meu cigarro
Quem tem mais pressa que arranje um carro
Pra andar ligeiro sem ter porque
Sem ter pra onde pois é pra que
Trecho do livro “Maia” de Jostein Gaarder. Me fez pensar um tempão…
“Imagine que, há muitos bilhões de anos, no momento em que tudo foi criado, você estivesse no umbral desse conto de fadas e tivesse a opção de nascer neste planeta se quisesse. Não saberia quando ia viver nem quanto tempo passaria aqui, mas, fosse como fosse, seria apenas questão de alguns anos. Só saberia que, se decidisse um dia nascer neste mundo, quando chegasse a hora, ou, como se diz, quando ‘o ciclo se completasse’, teria de deixá-lo e a tudo quanto nele existe… Qual seria a sua decisão se você tivesse a possibilidade de escolher? Optaria por uma vida breve aqui na Terra, para depois de poucos anos separar-se de tudo e nunca mais voltar? ou diria ‘não, obrigado’? Você só tem essas alternativas. É a regra. Se optar pela vida, também está optando pela morte.”
Jostein Gaarder (Maia)

Era um sábado como todos os outros, ou quase todos.
Não era um dia ensolarado, havia muitas nuvens no céu, embora estivesse claro e quente. Talvez até um pouco quente demais para o inverno.
Tinha acordado cedo.
E apesar de não ser tão natural para um fim de semana, já que mesmo durante a semana não andava conseguindo acordar muito cedo, não se espantou.
Sentiu-se bem como se tivesse dormido uma noite inteira. Profundamente, sem interrupções, sem sobressaltos.
Essa noite a insônia passou longe dele. Mas não dormiu cedo. Passava das duas da manhã.
Não, não foi festa. Não foi um passeio. Simplesmente ficou acordado curtindo a noite. Sozinho, no escuro. Animado, pensando, sonhando acordado.
E foi assim que, depois de sonhar a noite e de sentir seu sonho real, finalmente pôde sonhar à noite.
E após acordar, lembrando de sua noite e dos seus sonhos, se sentou e finalmente achou a inspiração para escrever.
E ainda antes de começar a escrever pensou tranquilo: “essa vai ser uma ótima estória”.
Não não, não é que estou sem tempo de escrever, ou que esteja atrasado, ou cheio de coisas para fazer e não dá tempo de tudo. Também não que não seja isso. Mas o que quis dizer é que tenho falado demais do “tempo” aqui.
Então o que quero dizer é que chega de falar do tempo. Chega de ficar o tempo todo falando dele.
Tá, eu sei que estou falando de novo nele. Considere isso então uma despedida. Se um até logo, ou um adeus isso depende.
De toda forma, não é errado dar importância ao tempo. E já dei muita.
Agora vou me dedicar mais a aproveitá-lo. Um pouco de cada vez. Os bons minutos, as horas agradáveis, os dias felizes. Aproveitá-los no presente. Lembrarei é claro depois, não digo para esquecer, mas não ficarei preso a eles. Nem também esperando os próximos.
O melhor tempo é esse mesmo instante.
E pensar que os instantes são quase sempre deixados de lados ao pensar em dias, semanas inteiras, anos.
Pense pequeno. Pense nos instantes.
Como diz uma grande amiga, quais seus melhores sessenta segundos de hoje?
Os meus? Até o momento, esses de agora.
^^
Pedacinho da música “Caras como eu”
“Não vou mais medir o tempo
Não vou mais contar as horas
Vou me entregar no momento
Não vou mais tentar matar o tempo”
“Em algum lugar do passado ele perdeu o caminho do seu futuro e agora está preso no presente sem ter como sair.
E no final das contas, isso não é maravilhoso?”
Muitos pensamentos para o passado e o futuro e o presente estava quase ficando de lado.
Viver o presente. Viva!
Engraçado como pensar em escrever muitas vezes não gera idéia nenhuma.
Mas também tem vezes que sem idéia nenhuma ao ter uma página em branco na frente as palavras fluem.
E assim espero não demorar tanto tempo mais para o próximo post.
Vou dedicar um tempo todo dia a sentar aqui na frente e olhar para o blog. Espero que continue dando certo.
^^